Todos nós temos cartas de amor no bolso, esperam que sejam abertas, lidas e relidas, esperam os olhos que passem e perpassem pelas palavras que temos para dar, aguardam os dedos em fúria para que o lacre seja quebrado. Todos nós, temos momentos de prazer alucinados e gritos de alerta, todos nós amamos e escrevemos, não é preciso ser poeta para falar ao coração, é necessário apenas estar vivo e tropeçar no amor e na paixão. Trago por vezes comigo algumas folhas de papel claro, tingido pelo desgaste do tempo, as palavras ficaram marcadas nas dobras das páginas, a tinta parece colar-se contra as páginas, formando desenhos abstractos, o papel adoptou um cheiro envolvente, como que antigo, uma aparência que mistura o odor da roupa com a fragrância da tinta de aparo, juntamente com o papel e umas quantas lágrimas de alegria ou tristeza, diria antes saudade. Todos nós trazemos connosco páginas, tantas, de amor, ódio ou paixão latente. Serão elas entregues aos destinatários? Ou ficarão esque...