
Todos nós temos cartas de amor no bolso, esperam que sejam abertas, lidas e relidas, esperam os olhos que passem e perpassem pelas palavras que temos para dar, aguardam os dedos em fúria para que o lacre seja quebrado.
Todos nós, temos momentos de prazer alucinados e gritos de alerta, todos nós amamos e escrevemos, não é preciso ser poeta para falar ao coração, é necessário apenas estar vivo e tropeçar no amor e na paixão.
Trago por vezes comigo algumas folhas de papel claro, tingido pelo desgaste do tempo, as palavras ficaram marcadas nas dobras das páginas, a tinta parece colar-se contra as páginas, formando desenhos abstractos, o papel adoptou um cheiro envolvente, como que antigo, uma aparência que mistura o odor da roupa com a fragrância da tinta de aparo, juntamente com o papel e umas quantas lágrimas de alegria ou tristeza, diria antes saudade.
Todos nós trazemos connosco páginas, tantas, de amor, ódio ou paixão latente. Serão elas entregues aos destinatários? Ou ficarão esquecidas na agonia do tempo? Não sei, todas elas, as cartas e as palavras, serão um dia lidas e relidas, despertadas do tempo, talvez se tornem manuscritos antigos, tornar-se-ão parte da história.
As cartas que trazemos no bolso, são fragmentos de momentos de almas, que caminham pelo mundo em determinada época do próprio mundo.